Entrevista com Arsène Wenger, técnico do Arsenal desde 1996

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Equipe Universidade do Futebol

Arsène Wenger é o mais bem sucedido técnico na história do Arsenal. Ele venceu “The Double”* em 1998 e 2002, e em 2004 foi campeão da Premier League sem perder uma só partida.

A parceria entre a Universidade do Futebol e a Soccer Coaching International possibilitou a apresentação desse material exclusivo à comunidade do futebol brasileira. O especial foi produzido a partir de uma visita ao técnico francês, que falou sobre sua filosofia de trabalho e o modo como ele compreende o treinamento da modalidade.

“Por que eu acho que sou tão bem sucedido? Essa é uma pergunta difícil. Eu penso, em primeiro lugar, que é porque sou apaixonado por futebol. Eu gosto dos jogadores e gosto de fazer o que eu faço bem. Então, para mim, é como uma obsessão sempre tentar melhorar. Assim como os jogadores, você tem que melhorar todos os dias e tem de ser humilde o bastante para questionar a si mesmo”, analisou o manager dos Gunners.

Nascido em Estrasburgo no dia 22 de outubro de 1949, Wenger iniciou sua carreira como treinador dirigindo equipe das categorias de base do time que carrega o nome de sua terra natal. Após isso, migrou para o Cannes, onde foi assistente técnico. De lá, ainda em território francês, para sua primeira experiência como comandante de uma comissão, de fato, no Nancy. Mas no AS Monaco, clube que dirigiu por oito anos, obteve as maiores glórias locais.

Campeão da Liga francesa em 1988, neste ano recebeu a honraria de “manager do ano”. Duas temporadas à frente ainda arremataria a Copa dos Campeões da França, antes de aceitar o convite do Nagoya Grampus Eight, do Japão.

“Eu acho que é uma mistura de tentar ser melhor e ser humilde o bastante para questionar o que você pode fazer para melhorar. Também é muito importante amar os jogadores. Como um treinador, você precisa ajudá-los. Ajude-os a melhorar, e para fazer isso você tem de ter uma filosofia do jogo. Nesse nível, você tenta achar os jogadores que possam se ajustar a essa filosofia”, avaliou o hoje consumado técnico do Arsenal, que inicia sua 13ª temporada à frente dos londrinos.

“Minha filosofia é sempre chegar o mais próximo possível do prazer do jogo. Eu tento falar com a parte do atleta que faz com que ele ame o jogo, com a criança que há dentro dele. Eu tento não fazer do jogo só um emprego. Essa é a parte que menos interessa. Mas eu tento fazê-los gostar daquilo que fazem. Essa é a parte com a qual eu gosto de trabalhar”, apontou Wenger, caracterizado pela visão peculiar em relação a aspirantes e jovens promissores provenientes de mercados menos ricos economicamente, como América do Sul e África, além de clubes menos expressivos do Velho Continente.

Desde que o Arsenal conquistou a Premiership pela última vez, em 2003/04, o francês iniciou uma verdadeira revolução no grupo dos Les Invincibles. Thierry Henry, Dennis Bergkamp, Robert Pires, Ljungberg, Ray Parlour, Patrick Vieira, Gilberto Silva, Lauren, Kolo Touré, Sol Campbell, Ashley Cole e Jens Lehman, componentes daquele “exército”, foram negociados ou dispensados nos anos subsequentes.

Edu, Adebayor, Flamini, Hleb, Jose Antonio Reyes, entre outros, passaram a ganhar espaço. Hoje, entretanto, mediante a velocidade da reconstrução do elenco, já deixaram o Emirates Stadium, restando o Fabregas e Emmanuel Eboué em uma nova guinada na busca de novas conquistas.

“Eu mesmo faço todos os contratos e, é claro, sempre tento fazer os jogadores ganharem o máximo de dinheiro que eles puderem. Mas essa não é a parte que me interessa. Quando eu falo com um atleta, meu foco é a paixão que está dentro dele. Sua paixão pelo jogo e o quanto ele quer vencer e tentar desenvolver isso. A paixão que estava inicialmente em todo jogador quando ele ainda era um garoto. Essa é a parte sobre a qual eu estou interessado e quero falar. E não me interessa se um jogador ganha dois, cinco ou dez milhões. Se o clube pode bancar isso e o jogador é bom o bastante, então eu estou bem com isso”, justificou Wenger.

Para a temporada 2009/10, o jovem brasileiro Denílson, de 21 anos, ex-São Paulo, firma-se como titular ao lado do espanhol Fabregas. Nicklas Bendtner, 21, e Aaron Ramsey, 18, são outras peças que já deixaram sua marca nos gramados ingleses sob a batuta de Wenger. De aquisição significativa na última janela de transferências, o desembolso de 10 milhões de libras para tirar o defensor belga Thomas Vermaelen, do Ajax, da Holanda. O jovem belga de apenas 23 anos vem ganhando maturidade no setor ao lado de William Gallas, capitão e referência dos Gunners.

“Eu procuro uma motivação intrínseca. Acredito que isso está relacionado com a característica do atleta. A atitude que ele mostra dentro do jogo é sua real atitude. Ali ele mostra quem ele realmente é. Quando você sai do jogo, você pode disfarçar sua personalidade. Mas você realmente é quem você é quando joga”, elencou Wenger, expressando o perfil de atleta que ele almeja para si.

“Nós queremos jogadores no Arsenal que tenham boa atitude. Eu estive trabalhando por 20 anos com especialistas motivacionais sobre a atitude. Nós estudamos nossos jogadores, fizemos testes com eles e eu tenho uma boa análise sobre isso. Nas nossas categorias de base, acreditamos que isso também é muito importante. Nossas equipes inferiores têm testes do nível motivacional, da atitude mental, da competitividade e da atitude de grupo. Nós tentamos fazer esses testes da forma mais objetiva possível”, finalizou.

Fonte: Soccer Coaching International – http://www.soccercoachinginternational.com

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